Com viagem à COP30, Lula adia novamente a escolha de novo ministro do STF

Com viagem à COP30, Lula adia novamente a escolha de novo ministro do STF

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a adiar o anúncio do nome que vai ocupar a vaga deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF). A cadeira está aberta desde o último dia 18 de outubro, quando Barroso se aposentou, e a expectativa era de que a definição ocorresse ainda em outubro.

O principal cotado para assumir o posto é o atual ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, considerado um dos auxiliares mais leais de Lula e com forte trânsito político dentro do governo. Apesar da preferência do presidente, o martelo ainda não foi batido.

A decisão foi adiada por conta da intensa agenda presidencial. Após retornar de compromissos na Ásia, Lula embarcou novamente — desta vez para Belém (PA), onde participa de eventos preparatórios para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30). A previsão é que o presidente permaneça cerca de dez dias no Pará, o que deve empurrar a nomeação para depois da conferência.

Disputa política e articulações no Senado

Enquanto o nome de Jorge Messias ganha força nos bastidores, há articulações políticas envolvendo outros possíveis indicados. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem defendido a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para o Supremo. Lula, porém, avalia que Pacheco seria peça importante nas eleições de 2026, como candidato ao governo de Minas Gerais — estado estratégico para a reeleição do petista.

Antes de oficializar a escolha, Lula deve se reunir novamente com Alcolumbre para ajustar detalhes políticos e evitar desgastes com o Senado, que será responsável por sabatinar e votar o nome indicado.

Nome de confiança e permanência longa

Aliados próximos do presidente afirmam que Jorge Messias é praticamente uma escolha certa. Aos 45 anos, o atual AGU é visto como um perfil técnico e discreto, além de manter relação próxima com o presidente desde os tempos do governo Dilma Rousseff. Caso seja confirmado e aprovado, Messias poderá permanecer na Corte até 2055, conforme a regra da aposentadoria compulsória aos 75 anos.

Agenda presidencial movimentada

O retorno de Lula a Brasília foi marcado pela repercussão da operação policial no Rio de Janeiro, que deixou 121 mortos e reacendeu o debate sobre a segurança pública. Após reuniões com ministros e assessores, o foco do governo se volta agora à COP30, que será realizada em Belém entre 10 e 21 de novembro.

Além de participar da abertura oficial, Lula deve inaugurar obras no aeroporto de Belém e no Porto de Outeiro, além de realizar visitas a comunidades indígenas, quilombolas e extrativistas na região de Santarém.

Após os compromissos no Pará, o presidente seguirá para Fernando de Noronha (PE), onde participará do lançamento do projeto Noronha Verde, da Neoenergia, nos dias 8 e 9 de novembro. A expectativa é que Lula retorne a Belém para a cerimônia de abertura da cúpula climática.

Com a agenda internacional cheia, a definição sobre o novo ministro do STF deverá ficar, mais uma vez, para depois do retorno do presidente.

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